Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Mulheres e carros

 

 

Há uns anos atrás, perguntei a um velho conhecido meu, porque é que ele ia casar ao que ele me respondeu que as mulheres eram como os carros, são todos diferentes quando os conduzimos pela primeira vez mas depois acabam por ser todos iguais.

 

- Tás a ver um Porsche? Grande maquinão não é? Mas aquela merda é só no início. Grandes performances, excelentes linhas, dá uma tusa do caraças conduzir aquela porra. No primeiro ano andas entusiasmado, no segundo já achas normal, no terceiro ano, aquela merda fode-te as costas todas, mudar um parafuso é caro como o caraças, é desconfortável e barulhento e queres é que o Porsche vá com o caralho!

 

Na verdade, não partilhando de todo (só em parte) a filosofia deste gajo, lembrei-me desta conversa quando hoje conduzia um carro que não é meu porque o meu, snif, está no estaleiro.

 

Quando um gajo diz que nunca se deve emprestar nem a mulher nem o carro, não pode estar a falar mais a sério. Ambos são o nosso território! E este conceito de território é coisa de macho que as gajas nunca vão entender.

 

Quantos de vocês emprestaram alguma vez um carro a um gajo e aquela merda NUNCA vem conforme estava? Sentimos logo mal abancamos o cú no nosso carro que algo está diferente. Será o banco? Será o volante? Será o cheiro? Será o tapete?

 

Engatamos a primeira e vem logo outra sensação. Esta merda não gemia assim! O ronronar está diferente. E a porra da sensação só passa depois de uns bons dias. É estranho…

 

Conduzir outro carro que não o nosso, seja por desporto ou por necessidade, seja qual for o carro, tem que ser encarado com grande confiança. Há uns anitos atrás, tive o prazer de conduzir o Ferrari Maranello (reparem que eu não digo UM Ferrari mas sim O Ferrari) que é um bicho capaz de produzir qualquer coisa como 500 e qualquer merda cavalos de potência, chegando aos 320 kms/hora. Devo ter tido orgasmos múltiplos nos primeiros 5 quilómetros. No entanto, ouvi muito gajo dizer que não tinha unhas para aquilo. Não tem unhas?! Foda-se, não tem que as arranje. Temos sempre que ter unhas, sempre!

 

E enquanto hoje vinha para as trincheiras trabalhar, vinha a experimentar o veículo. Esticava e o animal gemia. Curvava e ele chiava. E aos poucos e poucos, fui lhe apanhando as manhas. Há carros que não gostam de determinadas manobras, há outros que são talhados de raiz para certas estradas e outros há que é só potência mas pouca manobrabilidade. Não há nada como aos poucos e poucos levar o animal aos limites, à red line, sentir o volante como uma extensão dos nossos braços. Assim, vá, geme sua toura, tu gostas não gostas?! (o carro que ando tem nome feminino)

 

Uma coisa que todos nós, que gostamos e apreciamos um bom carro, queremos é, fidelidade. Um carro que nos dê confiança e segurança. É a mesma coisa que gostar de um Alfa Romeu. Um Alfa é e sempre foi um carro esteticamente bonito, lindo. O barulho daquele motor é um orgasmo dos sentidos. Mas, foda-se, já sabemos que ter um Alfa é ter um carro a curto-prazo. Mais dia, menos dia, vai-nos deixar ficar mal. Um dia é uma luz, o outro dia é mais uma e de repente temos o tablier mais aceso que uma árvore de Natal. Ou seja, todo o gajo quer conduzir um mas poucos gajos querem comprar um. Ora aí está o problema. The real deal!

 

Mas também há sempre aqueles carros que mal nos sentamos atrás do volante descobrimos que eles foram feitos para nós. É à medida. É o ronronar do motor, é o gemer, o rosnar do bicho. Aquela caixa de velocidades que tanto gosta de mais força como aceita a meiguice. São as curvas e o jeito como ele se adapta a nós, o modo como ele gosta de andar nos limites, fiel, seguro e com aquele ar selvagem de quem devora asfalto como quem manda abaixo um prato de batatas fritas. E só o ronronar…é garantia de bons e valente orgasmos.

 


estado de alma: Vrrum......
som do momento: Vrrrruuuummmmmm
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Lobo mau

Vai abrir um cabeleireiro a 5 metros de onde eu estou.

 

Quer-me cá parecer que vão é montar um galinheiro ao lado do covil do lobo…

 


estado de alma: em stand-by
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Tic Tac

 

Tinha eu ainda a dentição de leite e antes do advento da electrónica, do canal 21 e da internet, adormecia com o barulho de um enorme relógio que tinha umas campainhas que eram, mais coisa menos coisa, do tamanho dos meus tomates em estado de repouso. Umas coisas monstruosas portanto.

 

Aquele tic tac infernal invadia o silêncio do meu quarto e a única forma que eu tinha de contornar aquele incómodo, era fazer música com o tic tac. E resultava, apesar da minha cultura musical na altura não ser nem muito extensa nem muito apurada, mas resultava.

 

Ao longo dos anos, tentei adaptar este expediente a muitos outros ruídos. O barulho do comboio, das motorizadas de escape aberto tão populares entre os associados da construção civil, do ar condicionado, dos vizinhos a pinarem como se não houvesse um amanhã, do relinchar de algumas éguas, dos sinos a badalarem nas igrejas, do barulho de fundo da música house, enfim, algumas adaptações com mais sucesso que outras obviamente.

 

Mas, à semelhança do tic tac que quanto mais se repara mais ele se torna mais ensurdecedor, há ruídos que pura e simplesmente são impossíveis de fazer música com eles e são mais chatos que aquela comichão que temos de quando em vez no meio dos tomates, aquela que não sabemos bem se é no tomate direito ou no esquerdo e andamos ali a esmifrar as peles em vão.

 

É o caso do barulho tenebroso que certa malta faz a comer. Aquela merda tem uma acústica absolutamente impressionante. É de tal ordem que deixamos de ouvir a conversa, a música, caso haja, os camiões TIR que passam lá fora, o martelo pneumático que parte cascalho, a retroescavora a puxar pelos cavalos todos, o golo do Benfica na televisão e até mesmo aquele mulherão que nos manda sub-repticiamente uns micos do outro lado da sala. Bloqueamos. Não ouvimos mais nada a não ser aquele bolo alimentar a ser desconchavado pelos dentes numa orgia salivar orgulhosa.

 

A coisa é tal ordem que já antevemos o barulho mal os nossos olhos pousam no menu do dia. Se tem sopa, já sabemos que vamos ouvir aquele barulho tipo a água que escoa pelo ralo do lavatório abaixo. A malta não come sopa mas também não a bebe. A malta sorve a sopa enquanto nós vamos contando o número de couves que vão passando por aquela frincha mais as vezes que a colher se aproxima da boca, desesperadamente à espera que aquela merda acabe de uma vez.

 

Mas não acaba. Depois da sopa vem o copo de água (ou com água) e lá vem o estafermo do sorvedouro. Depois vem o bife e lá vemos o estupor do bife a dançar lá pelo meio enquanto que, em cada 2 palavras, ouvimos um schlap schlap, parecido com o barulho de algo peganhento a bater nas bordas de qualquer porra.

 

Estou de acordo que um gajo não tem que segurar nos talheres e comer como se fosse uma donzela porque essa merda é uma panisguice. Mas daí a comer como perfeitos javardos vai uma longa distância…e convenhamos…é mesmo tenebroso.

 


estado de alma: aborrecido
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Pila

No ano passado queimei acidentalmente (achei que este pormenor era importante) a minha pila com um cigarro.

 

Agora, queimei a minha pila e os tomates com uma chávena de café a ferver, novamente por acidente.

 

Das duas, uma: ou alguém está com uma inveja feroz da minha pila ou outrém sente imensamente a falta dela.

 

Temos pena!


estado de alma: queimado
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Big Brother

PS quer publicar na Internet rendimentos dos cidadãos

Socialistas vão apresentar projecto de 'big brother' fiscal, que coloca 'online' rendimentos brutos de todos os contribuintes

 

Se isto fosse uma anedota, não me ria. Se hoje fosse 1º de Abril não achava piada.

 

Assim, fico preocupado com o tamanho da imbecilidade da proposta do partido do governo. E fico muito preocupado, muitíssimo preocupado com o rumo que isto está a tomar.

 

Cá para mim o Chavez anda a dar dicas aos grunhos do PS…

 


estado de alma: preocupado


Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Reza

Ao palhaço que hoje deu um mergulho para uma passadeira da EN13, pensando que aquelas riscas brancas no asfalto o protegem de levar com uma grelha bem assente no esqueleto, deixando tatuado no lombo o símbolo da minha viatura, aconselho para esta noite uma reza especial:

 

- 50 Flexões de braços ao meu ABS e EPS;

- 50 Elevações de pernas com salto de canguru pelos meus pneus;

- 100 Abdominais pelos meus reflexos.

 

Para a próxima escolhe uma piscina pá ou, se te quiseres matar, experimenta harakiri com uma colher.

 

 


estado de alma:
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Amor à primeira

 

 

 

Se te acreditas no amor à primeira vista nunca paras de o procurar…


estado de alma: soninho...


A morte de Bunny Munro

Bunny manobra o Punto através do trânsito de fim-de-semana e chega à beira-mar, e é quase com um desfalecimento que vê o burlesco delicioso do Verão espalhado à sua frente.

 

Grupos de estudantes com pernas de tesoura e barrigas com piercings, raparigas a fazer jogging com fatos de marca, mulheres com grandes rabos a passear alegremente os seus cães, casais a copular mesmo nos relvados de Verão, veraneantes prostradas sob os cúmulos de formas eróticas, paletes de miúdas do caralho prontinhas a foder – grandes e pequenas, pretas e brancas, jovens e velhas, daquelas que dizem dá-me um minuto que eu descubro o teu sinal, mães solteiras apetitosas, os seios alegres e brilhantes das miúdas de biquiní e corpo encerado, as costas cheias de areia das que voltam da praia – uma quantidade imensa delas, porra pá, pensa Bunny – loiras, morenas e ruivas de olhos verdes que não se pode deixar de adorar, e Bunny quase que pára o Punto e abre a janela.

 

Bunny acena a uma maluca da ginástica com o seu iPod, e com pára-choques de Lycra, que talvez lhe esteja a acenar; uma pretinha a saltitar pelo relvado, com um vestido de grávida amarelo (respeito); uma estudante seminua com uma ferida na base da espinha do tamanho de uma bolacha que, afinal de contas, maravilha das maravilhas, é uma tatuagem de uma fita ou um laço – “Embrulhada para presente”, grita Bunny. “Não se acredita…” – depois uiva a uma miúda completamente nua com a rata completamente rapada, mas repara, olhando melhor, que na realidade está a usar uma tanga cor de pele anatomicamente integrada, como uma pele de salsicha; acena a um trio de bombásticas deusas amazonas, de botas Ugg, a jogar vólei com uma bola insuflável azul e laranja (elas retribuem em câmara lenta). Bunny dá uma buzinadela a um casal de fufitas particularmente giras, e elas mandam-no foder com o dedo espetado, e ele ri-se e imagina-as com o dildo enfiado prontas para a acção; depois vê uma miúda de cair de quatro com um rabo-de-cavalo, a chupar um pau de rebuçado vermelho e azul; uma rapariga com uma coisa inidentificável vestida que faz parecer que ela se meteu dentro da pele de uma truta arco-íris; depois uma ama, ou coisa assim, dobrada sobre um carrinho de bebé e a mancha branca das suas cuecas enquanto sopra por entre os dentes numa corneta. Depois repara numa empregada de escritório com ossos largos e ar solitário que se perdeu do grupo da despedida de solteira, a ziguezaguear pela relva como uma bêbada, sozinha e desorientada, com uma t-shirt que diz “guincha como um porco” e a transportar um enorme pénis insuflável. Bunny olha para o relógio, pensa um pouco, mas continua. Vê uma estranha miúda, velada, com um biquiní com um corpete vitoriano, e depois acena para uma drogadita gira que parece a Avril Lavigne (a mesma maquilhagem com khol negro), sentada numa pilha de revistas à entrada do degradado edifício Embassy. Ela levanta-se e cambaleia até ele, esquelética, com dentes enormes e olheiras pretas de panda debaixo dos olhos, e então Bunny percebe que não é uma drogadita mas sim uma supermodelo famosa no auge do sucesso, de cujo nome não se consegue lembrar, o que lhe faz a tesão saltar dentro das cuecas. Uma inspecção mais próxima mostra-lhe que afinal de contas é uma drogadita e continua a guiar, embora toda a gente que está metida naquilo saiba, mais do que qualquer outra coisa no mundo, que as drogaditas fazem o melhor broche (as putas viciadas em crack, o pior). Bunny liga o rádio e está a passar o sucesso de Kylie Minogue, “Spinning Around”, e Bunny não consegue acreditar em tanta sorte e sente uma onda de felicidade quase infinita, enquanto o sintetizador empastelado e provocante começa  e Kylie deita cá para fora a sua quase orgástica putaria, e ele pensa nos minicalções dourados de Kylie, naquelas calotas de ouro, o que o recorda de montar aquele rabo grande e branco de River lá no quarto do hotel, a barriga cheia de salsichas e ovos, e começa a cantar com Kylie. “Estou a girar, sai da minha frente, sei que me tocas porque é assim que tu és”, e a canção parece sair de todas as janelas de todos os carros do mundo, e o ritmo bate como o caralho. Nessa altura vê um grupo de frequentadoras de centros comerciais, baixinhas, com as suas barrigas falsas e batom fosco, uma árabe potencialmente sensual numa burka inteira (eh pá, lábia da arábia), e depois um cartaz a anunciar os malditos wonderbras, ou coisa assim, e murmura “Yes!” e dá uma guinada violenta, a tocar a buzina, e desce a Fourth Avenue, já a destapar a tampa de uma amostra de creme para as mãos. Estaciona e começa a bater uma punheta com um grande sorriso de felicidade no rosto, e coloca uma gota de gelatina numa peúga cheia de esporra seca que guarda sob o assento do carro.

 - Uau! – grita Bunny, e o locutor da rádio está a dizer “Kylie Minogue, quem não gosta daqueles minicalções!”. E Bunny diz “Oh ié!”, aponta o Punto para o trânsito e guia durante os dez minutos que leva até ao apartamento de Grayson Court, em Portslade, ainda a sorrir e a gargalhar, e a pensar se a mulher Libby estará com vontade quando ele chegar a casa.

 

In “A morte de Bunny Munro” de Nick Cave

 


estado de alma: a esfregar os olhos de soninho
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
Caranguejos

 

 

Esta noite, numa casa cujas recordações não me são agradáveis, travei um épico combate até à morte com…um caranguejo.

 

Tirando alguns primos e primas do caranguejo, tipo lagostas ou navalheiras, não me recordo da última vez que morfei um caranguejo.

 

Portanto, agradecia a quem tivesse uma interpretação terrena e não no campo do metafísico ou esotérico, para um pesadelo com um caranguejo, me dissesse.

 

Foda-se…andar à porrada com um caranguejo…tenho que parar de ver filmes do Chuck Norris…

 


estado de alma: como um ninja
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Agradecimento

Há coisas que não se agradecem, nunca se deviam agradecer.

 

Não se agradece o amor, não se agradece a amizade, não se agradece a paixão. São actos gratuitos, dados sem esperar nada em troca a não ser, talvez, mas não obrigatório, a reciprocidade. Agradecer é roubar a magia do sentimento, a gratuitidade do momento.

 

Amar não é favor. Ter amigos não é uma esmola que nos dão. Não escolhemos quem amamos, não devemos escolher. Quem nos ama, incondicionalmente, ama pelo o que nós somos, por quem somos. Não se agradece um amor assim. Retribui-se, incondicionalmente, ou não. 

 

Não vou agradecer os teus gestos, o jeito como te moves, o teu sorriso delicioso, as tuas palavras doces, o quentinho do teu mimo, a tua força, a tua coragem e o brilho dos teus olhos.

 

Não agradeço os amigos que tenho, o ombro que eles me deram, a mão e a garra com que me seguraram e nunca me deixaram cair.

 

Nem tão pouco agradeço a qualquer Entidade suprema por nunca ter caído na escuridão do fundo de um poço.

 

Dei e dou incondicionalmente, sem esperar gratidão, agradecimentos.

 

Eu sou o que sou porque vocês são mas porque eu sempre conduzi o meu destino e trilhei a minha estrada.

 

Sou, somos, seremos, é simples, tão simples…

 


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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
Timings

 

 

 

Eu  – Estás com frio…

Ela – Parvo!

Eu  - …

 


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Laughing Out Loud

 

 

- (Piada)

- Lolll

- Lol? Disseste lol? Lolll

- Disse? Foda-se! Isto não é normal. Lolll

- Lolll

- Lollll

 


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